27 setembro 2006

À vida



A imensidão,
de pormenores

que soberbamente latejam escondidos
no mais distante corredor planam,
de acordes em agudos se esbatem,
e com graves ocas notas ressoam…
No deambulante,
semblante de impressões e sombras,
que sobrevoam letargicamente
por palidez se perdem,
e arrastam consigo em dança estonteante
de círculos se elevam
as memórias…
Espalha, mistura, confunde-as,
em fotogramas de histórias,
desconexas, perplexas,
tão flashes de lembranças,
desejos, fantasias, magias…
Se soltam, sobrepõem, anulam-se entre si,
desaparecem?
Inebriantes sensações que perseguem,
a quem se esforce agitar, afastá-las,
em conturbado gesto, mas de apreço, pela verdade.

Em pontas, bem de mansinho,
como a bailarina que lentamente esmorece
e se recolhe do mundo,
em
passos atentos, calculados,
em movimentos de sonhos já alcançados,
e se retraem e confundem,

com a flor que fecha pelo descanso do Sol.

Enfim só…
Acompanha a chama
que apenas navega pelo fumo,
e se esbate ziguezagueando,
por entre cortinas que baloiçam
em resposta à melodia da nova aurora,
se encanta de cor, luz, e assim revive,

pormenores
impressões
a vida.

(Tão confuso como eu própria me sinto...Nem todos os dias são bons dias.)

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