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01 setembro 2008

Jornal "The Times" lança Arquivo Digital

"O site do jornal inglês "The Times" digitalizou 200 anos de seu acervo - de 1785, quando começou a circular, até 1985. O melhor de tudo é que todo o material está online, com exceção do período entre 1º de dezembro de 1978 e 12 de novembro de 1979, quando o jornal não foi publicado. É uma tremenda viagem no tempo, absolutamente viciante.
O acervo digital (anote logo: http://archive.timesonline.co.uk/tol/archive/) já contém cerca de 20 milhões de artigos, num total de 7,8 milhões de documentos únicos e mais de 35 milhões de imagens. Algumas das edições cujos originais em papel estavam danificados, mas que já estão em processo de restauração, ainda serão digitalizadas e incorporadas ao conteúdo online.

Tecnologia usada permite que conteúdo seja copiado
O plano é expandir o projeto, digitalizando também as edições de 1985 a 2005 do "Times" e as edições de 1822 a 2000 do "The Sunday Times", outro periódico da mesma empresa, a News International - que faz parte da gigante de mídia News Corp.

Nesta fase inicial, a oferta online está sendo gratuita, mas é preciso registrar-se. Embora o processo de registro no "Times" seja um tanto chato (é preciso fornecer dados como endereço, telefone etc, esperar a confirmação no email e completar mais um questionário), vale a pena adentrar o arquivo.
As páginas são vistas em sua tipografia original, há possibilidade de zoom, e o leitor pode salvar os artigos que forem de seu interesse.

Para que tudo desse certo, cada página do "Times" foi escaneada, passando depois por um processo de reconhecimento ótico de caracteres, vulgo OCR (Optical Character Recognition), que interpreta cada letra na versão impressa convertendo-a para um caractere codificado, transformando a imagem original de uma página impressa em um arquivo-texto convencional.
As páginas, escaneadas na íntegra, foram divididas em artigos, fotos, anúncios, cartas para o editor, além de registros de nascimentos, casamentos e óbitos. A parte textual dos artigos é indexada, permitindo que o arquivo inteiro seja encontrado por data e por palavra-chave. O texto pode ser aproveitado pelo usuário selecionando-o com o mouse e usando o velho copiar/colar (Ctrl C/Ctrl V).

A finalização do projeto promete ser uma tarefa bastante difícil em termos de volume de dados, pois as edições digitalizadas dos períodos mais recentes do "Times" vão consumir muito mais espaço em disco do que as mais antigas. Só os últimos 20 anos representam um conteúdo maior do que o dos 200 anos entre 1785 e 1985.

Segundo Anne Spackman, editora-chefe do Times Online (...) [esta] reconhece que haveria soluções mais baratas, mas afirma que a empresa queria o melhor resultado possível. O sistema utiliza um sofware para visualização de imagens, desenvolvido especialmente para a aplicação.
No processo de digitalização, os pontos críticos foram a qualidade e a consistência dos dados. Foram também criados scripts automatizados para verificação das imagens, utilizando a fina flor dos algoritmos de checagem. Apesar de inteiramente automatizados, esses scripts levaram quase um mês para checar todas as imagens.

Escanear documentos antigos exigiu muito cuidado
Alguns dos documentos originais são muito velhos, frágeis e valiosos. Foram necessários muito cuidado e experiência para escaneá-los e etiquetá-los, num processo que durou quase seis meses, com recursos técnicos baseados em Londres, Índia e Israel, para coordenar a digitalização e o reforço de qualidade final do processo de OCR.

No que tange ao armazenamento das imagens, os requisitos de espaço eram tão imensos que os ambientes de testes e implementação se tornaram altamente complexos. Mas o desafio foi vencido pela divisão de TI da News International. O site alocou servidores de imagens inteiramente dedicados à publicação online das fotos e bitmaps do arquivo. Além disso, foram usados os mais modernos algoritmos de compressão de imagens. Coisa finíssima.
Boa parte do arquivo online se baseia em registro e restrições de acesso, de modo a garantir os direitos de propriedade intelectual. Foi desenvolvida internamente toda a tecnologia de personalização que permitiu acesso controlado ao acervo. Afinal, cada documento da base de dados exige autenticação individual para determinar se um usuário pode ou não ter acesso a determinado conteúdo.

Para professor internet é ferramenta fundamental de pesquisa
Para Marcello Rangel, professor de História e coordenador setorial do Instituto Gay-Lussac, a iniciativa do britânico "Times" é fantástica. Ela mostra como a internet se tornou uma ferramenta de pesquisa fundamental para cientistas e historiadores.
" A historiografia avançou muito, e a academia já aceita tais fontes digitais "
- Já não é mais necessária a atitude positivista de ter que segurar nas mãos o original do documento histórico - diz Marcello. - A historiografia (a maneira como se compreende e escreve a História) avançou muito, e a academia já aceita tais fontes digitais. Naturalmente, pesquisar em jornais é uma parte do trabalho. O ofício do historiador é verificar a alteridade dos fatos (por exemplo, como o português vê o índio e como o índio vê o português), estudar diversos tipos de documentos e assim fazer a reconstituição da História.
Marcello cita outros arquivos presentes na internet, que a gente aqui consultou e ficou absolutamente surpreso. São ótimas fontes, como o Rare Maps ( raremaps.com ), o sistema de bibliotecas da Unicamp ( http://www.uni%20camp.br/bc/ ), a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro ( bibvirt.futuro.usp.br/textos ), o Projeto Gutenberg ( gutenberg.org ) e o Archive Org, de páginas web ( .archive.org , que guardaria inclusive versões antigas de sites - 85 bilhões deles).

Entre os jornais, o "New York Times" tem uma seção livre de busca entre 1851 e 1890 e entre 1981 e 1987 (depois, é paga), em tinyurl.com/avxq6 . O "Los Angeles Times" parte de 1881 (em tinyurl.com/alvaa ). Já o francês "Le Figaro" tem as edições de 1826 a 1942 listadas em tinyurl.com/6kek82 e se dá ao luxo de ter um arquivo separado para o seu suplemento literário, em http://tinyurl.com/6sxetp , entre 1876 e 1929.

Embora a iniciativa do "The Times" seja a mais abrangente de um jornalão de renome internacional, arquivos ainda mais antigos estão disponíveis online. É o caso do jornal local "Hartford Courant", do estado americano de Connecticut, que regride até o longínquo ano de 1764 ( tinyurl.com/pmknk ). Não tem nada de muito interessante para o pesquisador brasileiro, mas não deixa de ser um prato cheio para os curiosos de plantão (categoria de que fazemos parte).

No caso do grandioso trabalho de digitalização e oferta online do acervo do "Times", uma das mais difíceis decisões estratégicas do projeto foi quanto ao modelo de negócio, mais especificamente na escolha de como o serviço seria cobrado - ou, mesmo, se não seria - já desde o início da operação. Uma opção seria um serviço grátis para o usuário e patrocinado por anúncios, a outra seria funcionar por assinatura paga.
Essa questão foi fundamental na arquitetura do projeto e na implementação da solução, já que o modelo de preço afeta a popularidade do site. E isso tem decisivo impacto nas exigências tecnológicas e arquiteturais do sistema.
Esse debate também levou em conta o valor dos mecanismos de busca, os métodos de proteção da propriedade intelectual, o potencial de captar e remunerar anunciantes e patrocinadores, a possibilidade de capturar mais ou menos dados dos internautas visitantes e, por fim, o próprio preço da assinatura, caso fosse essa a opção escolhida. (...)"

Fonte: O Globo Online 11/08/2008
A título de curiosidade, fiz uma pesquisa utilizando ´Portugal´e o período de tempo mínimo e máximo permitido para a mesma (1785-1985). Os resultados? Fascinantes para quem gosta de história, da nossa história! Experimentem....

19 janeiro 2008

Daniel Blaufuks contrói "Arquivo" com uma colecção de memórias

"Conservação, erosão, apropriação, esvaziamento, branqueamento, (ir)reprodutibilidade da experiência ou ficcionalização da identidade são algumas das questões levantadas pelas fotografias e instalações que Daniel Blaufuks inaugura hoje, em Lisboa, na Vera Cortês Agência de Arte [Av. 24 de Julho, 54, 1ºEsq. Lx, até 23 de Fevereiro].

Arrumadas sob o título "O Arquivo", todas estas peças recentes jogam "por um lado, com a ideia de conservação e registo, e por outro com a efemeridade dos meios", explica ao DN o artista, que há anos trabalha temáticas como a memória ou o exílio.

Neste caso, Blaufuks abordou as diferenças e os cruzamentos entre "arquivo público e privado", conduzindo o olhar do espectador pelas seis salas de modo a que, no final, se questione as próprias noções de tempo e espaço, geral e particular, real e ficção.

Ao colocar lado a lado fotografias suas e imagens ou diapositivos de que se apropriou, o artista questiona, no limite, a integração de "arquivos alheios" nas memórias pessoais.

Se as cassetes e o computador arcaico evocados na primeira sala recordam o problema da duração dos suportes de registo, já as imagens da série Memento Mori, que tenta ordenar alfabeticamente lápides funerárias judias onde apenas se lêem os apelidos, conduzem a análise para o campo simbólico da vida e da morte. "Qualquer pessoa é um arquivo e, quando alguém morre, há um arquivo que desaparece", lembra Daniel Blaufuks.

Em O Arquivista, auto-retratou- -se num banho ritual fúnebre, levando ao extremo a "ideia de se arquivar a si próprio numa caixa". Primal Memory cruza diapositivos idílicos de África e paisagens retiradas a Shoah, filme sobre o Holocausto de Claude Lanzmann, em busca do rasto da memória.

Nos seis pequenos filmes exibidos em iPods, seis pessoas falam do que se lembram, partilhando memórias imediatas que seguem o ritmo do acaso. E na série Álbum, as fotografias esboçam a história possível de alguém que coleccionou objectos únicos como postais, recortes ou bilhetes de espectáculos.

Com algumas referências a séries anteriores, como Terezín ou A Perfect Day, "O Arquivo" reitera, afinal, a impossibilidade de conclusão de um arquivo. No final da exposição será lançado um livro de autor, com textos de Blaufuks, Gonçalo M. Tavares ou Eduardo Prado Coelho."

Fonte: DN 11-02-08

09 maio 2007

DIAP sem meios para arquivar

Há 50 mil inquéritos findos no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, mas os arguidos continuam a desconhecer o arquivamento do processo. Em causa está a falta de meios para dar cumprimento às notificações.

A informação foi divulgada pela Procuradoria-Geral Distrital (PGD) de Lisboa no habitual balanço trimestral divulgado na internet. Segundo a análise da procuradora distrital, Francisca Van Dunen, o DIAP de Lisboa é um dos departamentos do Ministério Público que suscita “particular preocupação” pelo volume de inquéritos que aguardam despacho há mais de um mês. Para a magistrada, que apresentou também a comparação com o ano de 2006, “persistem as dificuldades de resposta de magistrados e/ou oficiais de justiça, num grupo significativo de comarcas”, entre os quais se destaca Lisboa e o respectivo DIAP.

Contactada pelo CM, Maria José Morgado, que no mês passado sucedeu a Van Dunen na coordenação do DIAP, lembrou que este departamento, tal como afirmou no discurso de tomada de posse, “não tem um sistema informático da gestão do inquérito”, garantindo que a situação do DIAP é do conhecimento do Ministério Público. Segundo Morgado, a falta do sistema informático implicaria um quadro completo de funcionários administrativos – 30 em falta – para dar cumprimento a três mil notificações por dia.

A pendência de processos findos por falta de notificação foi, aliás, um dos exemplos dado por Morgado, quando tomou posse como coordenadora do DIAP, a 17 de Abril, para demonstrar as consequências da ausência de um sistema integrado de gestão de inquérito, situação responsável “por um gigantesco carrossel de desperdício de recursos humanos”.

Na mesma ocasião, também o procurador-geral da República (PGR), Fernando Pinto Monteiro, que destacou a importância do DIAP pela percentagem da criminalidade que ali é investigada – cerca de 20 por cento em relação ao total do País –, admitiu que este departamento “precisará de alguma reestruturação” e de “meios operacionais de que não dispõe”. No entanto, ontem, o CM tentou obter um comentário do PGR, o que não foi possível até ao fecho da edição. Durante a manhã, o PGR esteve reunido com Morgado no âmbito das habituais reuniões de trabalho.

ACUSAÇÕES SÃO APENAS 5 POR CENTO: A análise do movimento processual registado, no primeiro trimestre de 2007, no distrito judicial de Lisboa, revela que três em cada quatro processos têm como despacho final o arquivamento e apenas cerca de 15 por cento dos inquéritos tem como desfecho acusações – números semelhantes aos registados em 2006. Quanto à pendência processual no distrito, situa-se nos 78 mil processos, sendo que cerca de 19 mil têm data de entrada anterior a 2005, ou seja, são classificados como processos antigos. Nesta matéria, a magistrada Francisca Van Dunen admite que é necessário um “esforço significativo para eliminar a pendência dos processos antigos”. A procuradora distrital de Lisboa, que sucedeu no cargo a João Dias Borges, considera que há falta de funcionários e também ausência de formação, situação que contribui para a elevada pendência processual. E adianta que houve sucessivos pedidos de intervenção à Direcção-Geral da Administração da Justiça, mas que “não lograram atenuar ou pôr fim a este estado de coisas”.

APONTAMENTOS

DISTRITO: O distrito judicial de Lisboa, que engloba as regiões autónomas da Madeira e dos Açores e compreende 42 comarcas agrupadas em 12 círculos judiciais, tem 400 procuradores e 650 funcionários. Só o DIAP, o maior departamento do Ministério Público, tem 169 funcionários e 70 magistrados.

DIAP: O DIAP de Lisboa, à semelhança dos DIAP do Porto, Évora e Coimbra, foi criado em 1999. Este departamento, que em Lisboa tem 12 secções - oito na Rua Gomes Freire e as 4 restantes na Casal Ribeiro -, é responsável pela direcção do inquérito e pelo exercício da acção penal na comarca de Lisboa.

CRIMINALIDADE: Pelo DIAP, coordenado por Maria José Morgado, passa cerca de 20 por cento da criminalidade em geral – designadamente crimes graves e complexos ocorridos na área do distrito de Lisboa –, correspondendo a um dos maiores departamentos do Ministério Público na primeira instância.

78 520 inquéritos estavam pendentes no distrito judicial de Lisboa no final do primeiro trimestre de 2007, menos quatro mil do que o número registado no final de 2006.

42 649 dos 55 mil processos findos nos primeiros três meses de 2007 foram arquivados. Apenas cerca de sete mil acabaram com dedução de acusação (...).

Ana Luísa Nascimento

Fonte: Correio da Manhã 9/5/2007

Acho que este artigo dispensa qualquer tipo de comentário, não é?!

04 maio 2007

PESADELO (Bem real em Portugal)

DAVID BAILIN
Archivist, 2006
charcoal on paper
54 by 54.5 inches