Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens

28 abril 2008

25 de Abril SEMPRE!!!

Não podia deixar passar em claro a celebração do 25 de Abril sem dizer uma palavrinha a respeito do assunto. Por falta de tempo, não o fiz no próprio dia 25, o que, não sem uma certa ironia, acaba talvez por ser o mais acertado: estava a celebrar a manutenção da liberdade e da democracia, ou seja, o 25 de Abril. Que a luta continue sempre pelos ideais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Justiça Social e Democracia. E que nunca deixemos de sonhar e de cumprir os nossos sonhos!!! Como dizia o poeta: o sonho é uma constante da vida...

Pedra Filosofal António Gedeão


Eles não sabem que o sonho


é uma constante da vida


tão concreta e definida


como outra coisa qualquer


como esta pedra cinzenta


em que me sento e descanso


como este ribeiro manso


em serenos sobressaltos


como estes pinheiros altos


que em verde e oiro se agitam


como estas árvores que gritam


em bebedeiras de azul.



Eles não sabem que sonho


é vinho, é espuma, é fermento


bichinho alacre e sedento


de focinho pontiagudo


que fuça através de tudo Em


em perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho


é tela é cor é pincel


base, fuste, capitel


que é retorta de alquimista


mapa do mundo distante


Rosa dos Ventos Infante


caravela quinhentista


que é cabo da Boa-Esperança



Ouro, canela, marfim


florete de espadachim


bastidor, passo de dança


Columbina e Arlequim


passarola voadora


pára-raios, locomotiva


barco de proa festiva


alto-forno, geradora


cisão do átomo, radar


ultra-som, televisão


desembarque em foguetão


na superfície lunar



Eles não sabem nem sonham


que o sonho comanda a vida


que sempre que o homem sonha


o mundo pula e avança


como bola colorida


entre as mãos duma criança.

08 setembro 2007

The Archivist’s Story

The Archivist’s Story*, de Travis Holland

"Estamos em Moscovo, no ano de 1939.
Pavel, um antigo professor de Literatura, é agora arquivista na temível [prisão de] Lubyanka. Mas não está só. Em Moscovo, andam também a mãe e Elena, Semyon e Natalya, e outros amigos e amigas de Pavel, e os filhos e as filhas dos seus amigos, e gente anónima que ele encontra nas ruas, no metro, no eléctrico e no comboio. E também por lá andam, entre outros, Sevarov, Radlov, Beria, Molotov e Estaline.
Sim. Travis Holland arrasta-nos para um encontro com a História: a Rússia de Estaline, Butyrka, Lefortovo, Lubyanka e o NKVD, o Acordo de não-Agressão com a Alemanha de Hitler e a divisão da Polónia.
Tudo começa num encontro com o escritor Babel. Só que, de repente, já não sabemos o que é história e ficção, ou se é tudo história, ou se tudo não passa de ficção.
Quando damos por isso, já somos nós quem encarna a dor, o sofrimento e a angústia. Já somos nós quem é arrastado pelos corredores da Lubyanka e treme só de ouvir as chaves tilintar. Já somos nós quem anda pelas ruas de Moscovo sempre a olhar à volta, sempre a olhar para trás. Já somos nós quem sente um aperto no coração só de ouvir alguém bater à porta. Já somos nós quem não sabe o que é melhor: se ficar à espera, ou se fugir.
Descobrimos, então, que há algo que consome mais do que a própria morte: O Medo.
E, quando chegamos ao fim e verificamos que estamos sentados na cama ou no sofá, num banco do metro, do eléctrico, do comboio ou do autocarro, na praia ou no campo, então, respiramos fundo.
Afinal, apenas acabámos de ler um livro extraordinário. "


Á de Moura Pina

* Uma tradução de «A história do arquivista» será brevemente editada em Portugal.


Fonte: Blog Abrasivo


Este promete!!!